Feliz dia dos pais, meu filho!

Oi, filho!

Ontem foi dia dos pais e ao decorrer do dia, lendo as diversas homenagens dos meus amigos à seus pais, comecei a refletir sobre esse dia e ao mesmo tempo pensar no seu futuro. Logo de cara te digo: na sociedade em que vivemos ainda é muito fácil ser pai e muito difícil ser mãe.

Se um dia você se tornar pai, entenda o real significado desse posto. Pai não é aquele que fica ali observando pelas beiradas, esperando a hora de entrar em cena para ajudar a mãe. Pai está em cena sempre, meu filho! Quem ajuda são os avós, os padrinhos, os amigos, a diarista, a família, a vizinha. Qualquer pessoa pode ajudar. Mas o pai cria! O pai faz! O pai se responsabiliza! O pai está lá! Ou pelo menos deveria…

Infelizmente ainda vejo muito pai que se acha e é considerado incrível porque leva seu filho pra passear no fim de semana e posta foto com legenda fofa nas redes sociais. Ou porque presenteia seu filho com o videogame de última geração. Ou ainda porque uma vez por semana o leva pra escola. Mas por outro lado nunca levou o filho em uma consulta médica. Nunca faltou trabalho porque o filho ficou doente. Não sabe o nome da professora de inglês do filho. Nunca foi em uma reunião de pais na escola. Nunca preparou a papinha pro almoço do filho. Não sabe o nome dos melhores amigos da escola, da natação, do balé e do judô. Nunca trocou uma fralda de cocô porque tem nojo. Não sabe se as vacinas da criança estão em dia. Não sabe o calendário de provas do semestre e nem se o filho tem matéria atrasada pra estudar. Nunca conversou sobre menstruação, sexualidade, camisinha ou ouviu o desabafo da primeira decepção amorosa. Por trás desse cenário, meu filho, tem uma mãe que faz tudo isso todo dia e não é mais ou menos incrível por isso. Como li numa reportagem essa semana: “É preciso muito pouco para ser considerado um paizão. E é preciso muito pouco para ser considerada uma mãe de merda”.

Perceba ao seu redor como ainda existe uma brutal diferença entre a maternidade e a paternidade. A primeira, sempre carregada de culpa, de recessão, de abdicação. Já a paternidade, quando encarada, é leve, é pontual, é pura genética. Note também como a mãe se coloca pra baixo quando se coloca em primeiro lugar, mesmo que apenas por um instante. Ela se culpa, se sente péssima. Mas quer saber o por quê disso? Porque o tempo todo ouvimos coisas do tipo:

“Como assim você largou seu filho com a babá pra ir ao salão?”
“Como assim você deixou seu filho sozinho com o pai pra sair com suas amigas?”
“Como assim você perdeu a reunião dos pais por conta de um compromisso do trabalho?”
“Como assim você não trabalha fora?”
“Como assim você trabalha fora com criança pequena em casa?”
“Como assim você vai viajar sozinha?”

O tempo todo somos cobradas simplesmente pelo fato de ser mães. Mas e ser pai? Me pergunto porque só para nós, mães, os filhos têm que ser prioridade. Para os pais as prioridades são muitas, filhos são apenas mais um item da lista de afazeres desse grande ser incrível que é o pai. E pra todo mundo, tá tudo bem ser assim.

Pense, meu filho, o quanto nós – sociedade – cobramos de forma diferente das mães e dos pais. O quanto as mães são julgadas, criticadas e condenadas. O quanto as mães precisam o tempo todo justificar suas escolhas para o mundo e ao mesmo tempo os pais são enaltecidos, parabenizados e elogiados apenas por cumprirem sua obrigação. Podemos sentar no sofá pra conversar e te dou uma porção de exemplos reais sobre isso.

Ser pai é ser responsável, filhote! Ser responsável tanto pela rotina e afazeres da criança, quanto ser responsável emocionalmente pelo seu filho também. Sim, criar um filho não é nada fácil. Exige muito da gente. E pior: ninguém nasce sabendo, filho não tem manual de instruções e ao longo desse caminho a gente erra um tantão até acertar. Mas com tudo na vida não é assim? Até você conseguir andar de bicicleta sem as rodinhas, quantos tombos você levou? E mesmo depois de todos esses tombos, você levantou – mesmo todo ralado, e tentou uma porção de outras vezes até conseguir pedalar sem cair. Ser sua mãe foi desse mesmo jeitinho: errei, e vou continuar errando um monte, até acertar o nosso jeito. Então, meu filho, não se preocupe em errar. Mas faça!

Se um dia você se tornar pai, seja realmente pai. Não ajude, divida. Seja também o protagonista desse momento. Esteja lá sempre e não só quando precisar. Seu filho vai sempre precisar, acredite. Não se ache mais ou menos por fazer isso ou aquilo. O filho é filho tanto da mãe quanto do pai, assim como as responsabilidades: o peso precisa ser igual para os dois. Se você não sabe como fazer, aprenda! Não encare as tarefas como “coisa de mãe” e “coisa de pai”: tudo que envolve um filho é coisa dos dois.

Assim, quem sabe, seremos felizes no dia dos pais e em todos os outros também!

Com amor,
Mamãe

 

 

 

 

 

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